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Dois novos hospitais seguem modelo já existente em São Paulo
Karina Toledo
Os hospitais estaduais de Cotia e de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, passam a oferecer a partir de amanhã atendimento especializado a vítimas de violência sexual. Os serviços contarão com equipes multidisciplinares treinadas para atender a esses pacientes e seus familiares.
"A ideia é que, assim que a vítima seja identificada, a equipe aplique o protocolo para esses casos, que consiste na realização de exames para verificar uma possível gravidez ou contaminação por doença sexualmente transmissível e administração de medicamentos, como pílula do dia seguinte, antirretrovirais e vacina contra hepatite B", diz o superintendente das unidades, Didier Ribas.
Será oferecido também acompanhamento psicológico e médico de longo prazo e a possibilidade de a paciente optar por interromper a gestação resultante do ato de violência. O modelo foi baseado na experiência dos hospitais regionais de Assis e Sorocaba e do Pérola Byington.
"A violência sexual é um grave problema de saúde pública. Traz implicações físicas e psicossociais às vítimas. Daí a importância de serviços capacitados, que contem com protocolos que minimizem os danos e ofereçam alternativas de tratamento", diz Cristião Rosas, presidente da Comissão Nacional de Violência Sexual e Interrupção da Gravidez da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, parceira na iniciativa.
Margareth Arilha, da Comissão de Cidadania e Reprodução, afirma que, embora tenha crescido a oferta de serviços que possibilitem a interrupção da gravidez em caso de estupro, o número ainda é baixo se considerada a quantidade de mulheres em idade fértil no País. "E muitos dizem que fazem, mas enfrentam obstáculos burocráticos no dia a dia que impossibilitam o procedimento."
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