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Não basta ser pai, tem que participar
Homens passam até 16 horas por dia com seus bebês em maternidades. Contato pele a pele ajuda a acelerar melhora
Bruno Folli
Enquanto um bebê saudável nasce com pelo menos 2,5 quilos, a pequena Fernanda veio ao mundo com apenas 890 gramas. Sua mãe enfrentou complicações na gravidez e precisou dar a luz aos sete meses. Frágil, a recém-nascida passou 89 dias na UTI neonatal da Maternidade Neomater, no ABC. “Achei que ela não fosse sobreviver”, admite o pai Fernando Lobato, funcionário público.
Dedicado, Fernando passava até 16 horas seguidas na UTI acompanhando cada melhora, também cada recaída de sua filha. Sempre que podia, ele a segurava contra o peito, em posição vertical e um pouco inclinada para trás. O bebê ficava encostado na pele do tórax do pai. “Isso a deixava calma”, recorda Lobato. E ajudou na recuperação da bebê.
Elo familiar
Esse é o método do pai-canguru. Antes voltada só para a mãe, a técnica agora inclui o pai em busca de um elo completo entre a família. O método valoriza o contato físico com o bebê, e ajuda no ganho de peso rápido e maior oxigenação do cérebro. Isso reduz a permanência dos prematuros na UTI.
“Ela sempre dorme no meu colo. Longe de mim, ela fica mais agitada”, conta o publicitário Flávio Sousa, de 24 anos. Sua filha Emanuelle, já passou de 2,170 para 2,3 gramas em 37 dias de UTI no Hospital e Maternidade São Luiz.
Para viabilizar o método, os pais precisam ter acesso 24 horas à UTI. Até pouco tempo, muitos hospitais permitiam apenas 30 minutos de contato entre pais e filhos na ala. “O canguru trata do emocional da criança e dos pais”, diz a psicóloga Marcela Mantovani Pavini, do Neomater.
Médicos, enfermeiros e psicólogos ajudam os pais a segurarem a criança na posição correta. Como o prematuro é muito pequeno, os pais geralmente sentem-se inseguros para tal contato físico.
Na rede estadual, o modelo está disponível nos hospitais Interlagos, Leonor de Barros, Itaim Paulista, Itapecerica da Serra, Sumaré, Itaquaquecetuba, Mário Covas (Santo André) e Guilherme Álvaro (Santos, no litoral). E na Maternidade Cachoeirinha, da prefeitura.
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