28/04/2007 - Jornal Viver Embu Guaçu
  Assunto: Referência em Saúde Pública
  Os 130 anos de emancipação de Itapecerica da Serra contabilizam histórias de uma cidade que ainda comanda os municípios vizinhos
   
 

Um exemplo é o Hospital Geral de Itapecerica da Serra, onde também são atendidos pacientes de três municípios vizinhos. Saiba também que a primeira corrida de carros da América Latina teve largada em Itapecerica.

Os 130 anos de emancipação de Itapecerica da Serra contabilizam histórias de uma cidade que ainda comanda os municípios vizinhos

O surgimento de pedra lisa. A origem do nome. Ita: Pedra – Pecerica: Lisa. Nome supostamente atribuído ao fato de um índio ter escorregado de uma pedra, quando tentava chegar ao seu cume. Os índios viviam guerreando. Por isso, a povoação ficava nos locais mais altos, para que os moradores pudessem se proteger de ataques inimigos. O que originou a fundação de Itapecerica da Serra no mesmo dia em que foi inaugurada, no topo do morro, a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em 3 de setembro de 1562. O prédio da Igreja continua no mesmo local e sofreu, recentemente, reforma nada adequada à arquitetura primitiva, quando o local era habitado pelos índios guaranis e colonizadores, que viviam próximos à igreja.

Com o passar dos anos, a população foi sendo ampliada e, em 8 de maio de 1877, por uma lei provincial, a antiga freguesia foi transformada em vila. Em seguida, no dia 11 de novembro de 1877, foi instalada a primeira Câmara Municipal.

Itapecerica da Serra já foi um dos maiores municípios paulistas em áreas territoriais. Nas últimas décadas perdeu cerca de mais de 500 quilômetros quadrados devido às emancipações de seus ex-distritos: Embu Guaçu (171 quilômetros), Juquitiba (170 quilômetros) e São Lourenço da Serra (132 quilômetros). Atualmente está com 210 quilômetros quadrados de extensão territorial.
Limita-se ao norte com Embu das Artes, ao leste com Embu Guaçu, ao sul São Lourenço da Serra e Juquitiba e oeste, Cotia e Ibiuna. Faz divisa com São Paulo ao norte.

O fenômeno da conurbação trouxe inúmeros problemas sociais para o município, que quase sempre é destacado no noticiário televisivo e nos demais meios de comunicação devido à violência predominante em bairros de sua periferia. Aliás, pobres e ricos convivem em locais diferentes. Os ricos residem em sítios escondidos em locais serranos ou em condomínios luxuosos como o Royal Park, Jardim Europa e Delfim Verde, dentre outros.

Já os pobres invadiram inúmeras áreas de preservação, onde realizaram devastação, construindo moradias, lembrando as favelas cariocas. Bairros como Jardim Jacyra, Santa Julia, Crispim, próximos à Estrada do M’Boi Mirim, aglutinam grande parte da população local.

A população de Itapecerica segundo dados do IBGE, em 2005, contabilizava 157.280 habitantes. O IBGE, que prepara novo censo para 2007, pretende apurar os dados de todos os municípios brasileiros até o final do ano em curso.

HOSPITAL GERAL DE ITAPECERICA DA SERRA, REFERÊNCIA NA REGIÃO QUANDO O ASSUNTO É SAÚDE PÚBLICA
O HGIS, como é conhecido o Hospital Geral de Itapecerica da Serra, fundado em março de 1999, na gestão do então governador Mário Covas, tornou-se, ao longo dos anos, referência para os municípios de Embu Guaçu, Juquitiba e São Lourenço da Serra.

Segundo dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Saúde, o HGIS atendeu, em média, pacientes vindos de São Lourenço da Serra, no mês de março do ano em curso, com os seguintes serviços: 344 urgências/emergências; 82 consultas, e 46 altas hospitalares. De Embu Guaçu;1024 urgências/emergências; 332 consultas, e 174 altas hospitalares. Juquitiba: 537 urgências/emergências; 137 consultas, e 734 altas hospitalares. Percebe-se que Itapecerica da Serra continua sendo a sede dos municípios vizinhos, pelo menos quando se trata de saúde pública. “Seria oneroso para o governo manter um hospital desse porte em cada município da região. Centralizando os serviços em apenas uma cidade também dá para atender a maior parte dos moradores, que agenda os serviços médicos hospitalares numa unidade do Sistema Único de Saúde de sua cidade. De forma organizada, no HGIS serão atendidos aqueles que necessitam de tratamento médico/hospitalar”, enfatizou, para o VIVER, um representante do departamento de Comunicação da Secretaria de Estado da Saúde, que não quis identificar.

Apesar de emancipados, os municípios de Embu Guaçu, Juquitiba e São Lourenço da Serra ainda dependem de Itapecerica da Serra, pois não contam com população, comércio e indústria em condições de ter hospital do porte do HGIS.

A PRIMEIRA CORRIDA DE CARROS DA AMÉRICA LATINA OCORREU EM ITAPECERICA

Itapecerica da Serra entrou no primeiro circuito de corrida de carros da América do Sul. O evento era semelhante ao europeu. As corridas de Paris a Marselha, em 1896. Paris-Amsterdam, em 1898. Paris-Toulouse, ida e volta, em 1900. Paris-Viena, em 1902. Paris-Madri, em 1903. Competições que atraiam multidões e serviam para o aprimoramento dos veículos e de sua “complexa mecânica”.

Em 27 de setembro de 1907 foi fundado o Automóvel Club do Brasil, no Rio de Janeiro, num moderno prédio da Praia do Botafogo, tendo como presidente o engenheiro Aarão Reis, então diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil. Pouco depois surgia o Automóvel Club de São Paulo, cujos associados eram destacadas figuras da sociedade e do mundo financeiro da capital paulista.

Para marcar sua inauguração, programou-se uma grande corrida de automóveis, no dia 14 de julho de 1908, em homenagem à festa do civismo francês. Mas, em virtude da coincidência da data, com a abertura da Exposição da Praia Vermelha, no Rio, a corrida foi transferida para o dia 26 do mesmo mês.
Assim Itapecerica passou a integrar a história do nosso automobilismo a partir da corrida “O Circuito de Itapecerica da Serra”. Avenida Paulista, Pinheiros, M’Boi (hoje Embu das Artes), Itapecerica, Santo Amaro (nessa ocasião era município), foi esse o trajeto de terminado, com 80 quilômetros. O policiamento bem como a escolha do percurso além da orientação para o público foi feito pelo então secretário da Segurança Pública do Estado, Washington Luiz Pereira de Souza, o mesmo que, 20 anos depois, como presidente crioou o slogan Governar é abrir estradas.

Participaram vários figurões da sociedade paulistana. Embora a largada fosse na Avenida Paulista, os carros saiam do Parque Antarctica e, depois, para lá retornavam. Os espectadores que lotavam o Parque Antarctica pagaram 2 mil réis para assistirem a largada e a chegada dos participantes. A vibração e os aplausos foram enormes quando surgiu o 1º colocado, Sylvio Penteado, que com a sua Fiat percorreu os 76 quilômetros do Circuito no tempo de uma hora, trinta minutos e um segundo, na frente 1 minuto e 50 segundos , da “Dietrich” de 60 cavalos de Jorge Haentjess.

Link da matéria
  Voltar